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Microcefalia - Entenda como acontece! Domingo, 14 de Fevereiro de 2016

A Microcefalia, também conhecida como Nanocefalia, é uma condição em que a circunferência do crânio é menor que o considerado normal para a idade do feto ou da criança. Neste caso o que acontece é uma deficiência do crescimento do cérebro, tanto pela dimensão da caixa craniana, como pelo pequeno desenvolvimento do cérebro em si. O Ministério da Saúde considera como padrões normais no nascimento a medida 33 cm ou mais.

O fato da cabeça e cérebro não se desenvolverem sobre os padrões normais, acaba prejudicando o desenvolvimento mental e físico da criança, isso porque os ossos da cabeça, que ao nascimento estão separados, se unem muito cedo, impedindo que o cérebro cresça e desenvolva suas capacidades normalmente.

 

CAUSA

Em muitos casos, a causa da microcefalia não é conhecida. Entre os motivos conhecidos de microcefalia estão:

 

  • Síndromes ou problemas genéticos, como a Síndrme de Down, trissomia do 18 e do 13;
  • Infecções sofridas pela mãe durante a gravidez, como a Rubéola, Citomegalovírus, Toxoplasmose, Sífilis e Zika;
  • Exposição da mãe a agentes teratogênicos durante a gravidez (radiação, substâncias químicas, consumo de álcool ou drogas);
  • Craniossinostose ou cranioestenose: fechamento prematuro das moleiras do bebê. Nesse caso, o problema inicial é com os ossos do crânio e não com o cérebro;
  • Desnutrição, fenilcetonúria ou diabete mal controlada na mãe durante a gestação;
  • Lesão ou trauma no cérebro do bebê, por exemplo na hora do parto. Nessa situação, a microcefalia só aparece conforme o bebê vai crescendo.

 

DIAGNÓSTICO

Ainda no útero, a microcefalia pode ser diagnosticada por ultrassom, quando a medida da cabeça (perímetro cefálico), quando comparada com outras medidas do feto e com a idade gestacional, fica abaixo do esperado.

Já quando o bebê nasce a microcefalia é diagnosticada com uma simples fita métrica.

As autoridades brasileiras estão determinando, para efeito de monitoramento, que serão considerados casos suspeitos de microcefalia recém-nascidos (desde que nascidos depois de 37 semanas) com perímetro cefálico de menos de 33 cm.

Apenas a medida não é suficiente para determinar se há malformação. É preciso levar em conta também: 

  • A circunferência cefálica dos pais (se os pais também tiverem a cabeça pequena, pode ser apenas uma característica hereditária).
  • O fato de o bebê ter nascido de parto normal. É recomendável repetir a medida do perímetro cefálico 3 ou 4 dias depois do parto, porque a cabeça do bebê tem a capacidade de "afinar" para passar pelo canal de parto, e demora alguns dias para voltar ao normal.
  • As proporções do corpo da criança. Uma criança de estrutura pequena tende a ter uma cabeça menor.

 

SINAIS E SINTOMAS

Os problemas mais comuns em crianças com microcefalia são:

·         Sério déficit intelectual;

·         Atraso no desenvolvimento de movimentos e da linguagem;

·         Dificuldade de coordenação motora e equilíbrio;

·         Prejuízo no desenvolvimento do resto do corpo;

·         Convulsão;

·         Hiperatividade;

·         Menor estatura, possivelmente nanismo.

Vale ressaltar que quanto menor o perímetro, maior o atraso no desenvolvimento. O conjunto de manifestações dependerá das áreas cerebrais lesadas durante o desenvolvimento do processo patológico.

 

TRATAMENTO

De acordo com os especialistas, não existe tratamento capaz de reverter a microcefalia, pois infelizmente não é possível recuperar o crescimento perdido no cérebro, nem fazer o crânio voltar ao tamanho normal.

Crianças com microcefalia são acompanhadas por um neurologista pediátrico e outros especialistas como fisioterapeuta, fonoaudiólogo, terapeuta ocupacional e pediatra desde os primeiros meses de vida, que observarão os eventuais atrasos no desenvolvimento e buscarão minimizar as possíveis deformidades e obter o máximo desenvolvimento da criança.

É importante enfatizar que quanto mais precoce for o tratamento, os resultados serão melhores para o desenvolvimento infantil e sua qualidade de vida.

Em alguns casos é possível fazer uma cirurgia, nos dois primeiros meses de vida, para separar os ossos do crânio para evitar a compressão que ele exerce no cérebro.


PREVENÇÃO

A prevenção deve ser feita antes, durante e depois da gestação, tomando medidas para tentar não se expor a substâncias tóxicas ao bebê nem pegar infecções que possam causar o problema. 

Claro que nem sempre isso depende da vontade da futura mamãe, por mais que se previna. Por isso, caso você pegue uma infecção que possa causar microcefalia, siga o tratamento indicado pelo médico.

Não existe um exame durante a gravidez que possa garantir, com certeza absoluta, que a criança não terá o problema. Exames de ultrassom ajudam a monitorar o crescimento da cabeça do bebê, mas não há nenhuma intervenção, após a infecção, que possa evitar o surgimento da microcefalia, caso tenha havido dano ao tecido cerebral.

E, se ela de fato nascer com microcefalia, além das intervenções e tratamentos iniciados o quanto antes, o que fará mesmo diferença na vida dela é o apoio e carinho da família, para que ela se desenvolva da melhor forma possível. 




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Loanne Vasconcelos


Sobre o autor
Fisioterapeuta, Pós-Graduada em Saúde Pública, Pós-Graduada em Traumato-Ortopedia, Coordenadora da Unidade de Fisioterapia do Instituto Galba Novaes de Castro.